Por mais de vinte anos, o misterioso código verde de 'Matrix' alimentou todo tipo de teoria. Linguagem secreta de computador? Mensagem escondida? Um algoritmo futurista? A verdade, revelada por quem criou o efeito, é inesperada - e deliciosamente absurda.
Lançado em 1999, 'Matrix' revolucionou o cinema de ficção científica. A direção inovadora, as cenas icônicas em câmera lenta, as reflexões filosóficas sobre a realidade... e, claro, aquela imagem que virou símbolo imediato: a chuva de caracteres verdes caindo sobre um fundo preto. Desde os primeiros segundos, o filme estabelece seu universo visual, mas uma pergunta sempre intrigou o público: o que aquele código realmente significa?
Durante anos, fãs e especialistas levantaram hipóteses das mais elaboradas. Seria uma linguagem de programação extremamente complexa? Uma matriz matemática? Um alfabeto inventado? A resposta foi confirmada por Simon Whiteley, diretor de arte responsável pela criação da sequência.
A revelação é tão simples quanto improvável. Segundo Simon Whiteley, em entrevista ao CNET, a famosa "chuva digital" nada mais é do que... receitas de sushi. Sim, literalmente isso. Em detalhes à Wired, ele revelou ter ficado com a missão depois que Lana Wachowski e Lilly Wachowski, diretoras do filme, rejeitaram uma primeira versão por considerá-la genérica demais.
"Os Wachowskis acharam que o design não era clássico e tradicional o suficiente. Eles queriam algo mais japonês, mais no estilo mangá. Me perguntaram se eu estaria interessado em desenvolvê-lo, principalmente porque minha esposa é japonesa e poderia me ajudar no processo criativo", entregou.
Essa foi uma exigência estética que acabou levando a uma das criações visuais mais marcantes da história do cinema.
Para encontrar referências, Simon Whiteley mergulhou nas "pilhas de livros de culinária japonesa" da esposa. Um deles chamou atenção em especial: um livro de receitas de sushi. Foram justamente esses caracteres japoneses, retirados e estilizados, que serviram de base para o código verde.
Whiteley desenhava e pintava cada símbolo à mão antes de entregá-los a seu colega Justen Marshall, responsável por digitalizar e animar tudo. No início, os caracteres se moviam da direita para a esquerda, seguindo o sentido tradicional da leitura japonesa. Até que surgiu a ideia decisiva: fazê-los cair de cima para baixo. Assim nasceu a famosa "chuva digital".
Como ele mesmo resume: "Sem esse código, não haveria Matrix". E, ironicamente, esse detalhe criado quase por acaso se tornou um dos símbolos mais reconhecíveis de toda a franquia, superando até os elementos das continuações lançadas depois do enorme sucesso do filme original.
Essa é a prova de que, mesmo em 'Matrix', a realidade às vezes consegue ser mais surpreendente do que a ficção.
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